Como as marcas em Portugal se renderam à loucura dos eSports

Este artigo foi retirado de Dinheiro Vivo e todos os créditos são do mesmo e dos seus autores.

Empresas veem nos desportos eletrónicos uma hipótese para chegar ao público mais jovem e de criar uma imagem inovadora.

“Definimos que era prioritário para a Huawei estar junto das comunidades jovens e especialmente de consumidores muito exigentes. O gaming tradicional está a mudar para um gaming multiplataforma, ou seja, antigamente jogávamos em PC, depois em consolas e agora já jogamos arduamente e muitas horas em telemóveis”.

É assim que Tiago Flores, diretor de vendas da unidade de consumo da Huawei Portugal, justifica a aposta que a empresa decidiu fazer no Moche XL eSports, o maior evento de desportos eletrónicos alguma vez realizado em Portugal.

“Estes jovens são utilizadores intensivos de tecnologia e também são grandes prescritores nos seus familiares, nos seus amigos e para nós é muito importante estar junto de um público muito jovem no que diz respeito a tecnologia de mobilidade”, acrescentou em entrevista ao Dinheiro Vivo.

No Altice Arena, o palco dos dois dias de competição do Moche XL eSports, havia marcas de telecomunicações, bancos, marcas automóveis e até empresas de recursos humanos, cada uma a tentar destacar-se à sua maneira. O patrocínio de palcos de competição, a criação de zonas de lazer ou a simples existência de um stand da marca são formas que as empresas arranjam para estar junto das mais de 15 mil pessoas que são esperadas no evento.

Quem não brincou em serviço foi uma marca mais ligada ao desporto tradicional – a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) tinha um dos maiores palcos do evento, completamente dedicado ao jogo de futebol digital FIFA.

“É muito importante para a FPF eSports estar presente nos eventos, aproximar-se da comunidade, oferecer competições em palcos gigantes como são estes aqui no XL eSports, por isso a nossa presença neste evento, o maior de desportos eletrónicos em Portugal, foi óbvia e estamos contentes por estar aqui”, disse o coordenador desta área da FPF, Raúl Faria, ao Dinheiro Vivo.

“A Federação não podia ficar para trás, não ficou para trás e está sempre na vanguarda também da tecnologia e também daquilo que é a modernização do futebol e do desporto, como são os eSports”, salientou o porta-voz da organização desportiva.

Uma marca que já tem grande tradição nos eSports e que agora aposta mais do que nunca neste segmento é a Asus. O relações públicas e responsável de marketing pela área de gaming, André Gonçalves, diz que é nestes eventos que a empresa consegue perceber o impacto que os seus produtos estão a ter junto dos consumidores.

“Dos [eventos] mais pequenos aos maiores, é sempre possível extrair muita coisa, como perspetivas e feedbacks. Desde o tempo das LAN parties que me lembro de andar no meio das filas a falar e a ver as pessoas que tinham os nossos produtos e a perguntar ‘então, esse rato é fixe, esse headset é bom?’ e perceber que afinal ‘não, é muito pesado’ ou ‘o fio é muito curto’. Esse tipo de resposta é muito importante para fazermos um produto melhor”, disse em entrevista.

“É um grande orgulho perceber que muito do feedback dado pelos portugueses se reflete em produtos para Portugal”, acrescentou.

André Gonçalves não tem dúvidas em dizer que o crescimento da indústria dos eSports em Portugal tem um efeito positivo nas vendas da empresa em território nacional. O representante da marca asiática diz que para si a grande surpresa é a explosão dos eSports não ter acontecido mais cedo.

“É como aquela pessoa que toda a vida usou um casaco de camurça e que toda a gente dizia que era horrível – entretanto entra na moda e a pessoa já vai muito à frente. É aí que nós estamos, estamos muito à frente porque sempre fomos desta área”.

Muito longe de ser apenas uma moda

Logo no início do evento – termina este domingo ao final da tarde -, já o representante da Huawei Portugal falava numa aposta ganha. “Acho que está claramente ganho, os números são impressionantes dos visitantes que estão projetados para estar neste evento e é mais uma forma de estarmos juntos do consumidor”.

Ainda que o interesse da Huawei nos eSports seja uma aposta recente, Tiago Flores diz que é para continuar a “olhar muito atentamente” para esta comunidade. Questionado sobre uma possível aposta mais séria nos desportos eletrónicos, o executivo descartou essa possibilidade. “Queremos estar de facto como parceiros nestes eventos, queremos mostrar a nossa tecnologia, mas neste momento o patrocínio de uma equipa não está nos nossos planos”.

Já a FPF eSports celebrou recentemente o seu primeiro ano de existência e os resultados não podiam ser melhores, segundo Raúl Faria. “Temos mais de 7.000 atletas inscritos na plataforma de eSports da FPF, mais de meio milhão de visualizações, 16 competições, já estivemos em seis eventos e foi de facto um ano fantástico. Foi um ano zero, um ano de construção, de também perceber aquilo que a comunidade quer e de poder aprender com ela”.

No caso da FPF, o órgão dirigente do futebol em Portugal sabe que é mais do uma marca, mas sim um ‘farol’ na indústria dos eSports. “Os clubes estão a perceber de facto que é um grande mercado, os eSports são uma forma de poder alcançar um público mais jovem e a entrada da federação também ajudou para que esses clubes tivessem aqui um porto de abrigo, uma entidade de confiança que lhes pudesse mostrar o que são os eSports”.

O papel da FPF vai além de jogos de futebol como o FIFA. “Tentamos sempre trabalhar com outras marcas, outras entidades, outras modalidades de eSports por forma a fazer crescer o mercado em Portugal”.

A Asus também reconhece que este é o grande momento dos eSports em Portugal. “Estes são passos muito importantes. Um evento como este é um passo para dar a perceber que todas aquelas pessoas que estão renitentes em avançar de uma forma mais intensa nesta área do competitivo, perceberem que em Portugal já há [eSports]. O primeiro passo é sempre o mais difícil”.

André Gonçalves partilha da opinião de Pedro Silveira, uma das pessoas com maior experiência nos eSports, sobre o futuro brilhante que Portugal pode ter.

“Já temos grandes jogadores a jogarem lá fora, a nossa especialidade ainda é o Counter-Strike GO, o FIFA, mas seguramente vão surgir outras coisas e outros jogos que vão começar a encontrar estrelas, vão ajudar a catapultar ainda mais esta mistura de entretenimento e desporto”.

Retirado de dinheirovivo.pt

– Rui Rocha Ferreira

Nuno Taborda

Créditos Imagem Destaque

Este artigo foi retirado de Dinheiro Vivo e todos os créditos são do mesmo e dos seus autores.

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